segunda-feira, setembro 10, 2007
Reacção a leituras... (#1)

Na verdade, pactuo com algumas das opiniões de Vasco Teixeira. Maria de Lurdes Rodrigues soube reconhecer alguns dos problemas[1] das nossas escolas (levantados em parte no manifesto com que abri o blog), procurou resolvê-los com medidas que nalguns casos até poderiam ser boas, mas quis (e continua a querer fazê-lo) da pior forma: centrando em si todo o processo, não ouvindo os parceiros, principalmente quem diariamente trabalha na escola (alunos e professores).
Como reconhece Vasco Teixeira, algo que se diz inclusive há muito tempo, ela "não confia nas pessoas, nem mesmo nas instituições. Faz tudo de uma forma centralizada, sozinha. Acho que vai acabar o mandato angustiada e só. A ver as medidas a não resultar."
A não resultar porque não se apercebe das tropelias, do que revoga e daquilo que deixa continuar. Um exemplo gritante é a aplicação da TLEBS, precipitada a meu ver, não existindo mais orientação após o cancelamento da sua aplicação (precipitado igualmente), sendo que alguns manuais continuam com a nova terminologia e os novos a voltarem à antiga. Exemplos desses há muitos infelizmente, desde a reestruturação do Ensino secundário (fusão de cursos) sem se saber com que programas trabalhar, a criação de novos cursos tecnológicos, recusando-se a criação de manuais escolares, mas não criando orientações, nem uma bolsa de materiais online, por exemplo, até à resolução do problema da coexistência no Ensino Básico de dois programas divergentes (competências essenciais e programas da reforma de 91).
Despachos avulsos que não têm em conta o que se decidiu anteriormente, ou seja, não se planifica a acção, parece-me que se decide em cima do acontecimento, para reagir a algo que se levantou com a decisão anterior.
Em que ficamos então?
[1] Falta de aprendizagem dos alunos, abandono escolar, manuais escolares, concurso docente e instabilidade na carreira, integração na carreira e evolução na mesma, programas das disciplinas, TLEBS, etc.
Imagem retirada do seguinte blog: http://sinistraministra.blogspot.com/
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terça-feira, junho 19, 2007
Diário de um professor
Com tanta coisa em que pensar hoje que não me preocupei com outras. Para que pensar em disparates. Se encosto para atender o telemóvel, e fico à conversa, para que desligar o motor do carro. Quando o ligar poluo à mesma, não é assim? Não é quando há maior descarga? Não sei, não tive tempo de pensar nisso.
Tantos trabalhos de alunos para ver. Tantas coisas para corrigir, notas para dar, dor de cabeça na certa quando vejo que alunos esperançados não atingiram os mínimos para pelo menos terem positiva. Por isso, por que razão hoje haveria de me chatear se me esqueço da luz acesa quando saio do gabinete?
Fiquei deveras chateado com algumas notas. Alunos que se esforçam, que tentam dar o seu melhor, descuidando-se, ainda assim, no essencial. Lamentos que obviamente me perseguem uns momentos. Não ficam agarrados à secretária, como noutros empregos. Por isso, quero lá saber se hoje tomo banho de imersão para relaxar. Sabe mesmo bem. Um duche, também, com aqueles chuveiros que têm jactos diferentes, mas um banho de imersão... quero lá saber da água a mais, quando se trata de relaxar.
O trabalho não ficou na escola, veio comigo para casa. Muitos não se podem gabar disso. Cheguei tarde, jantei sozinho e estou agora à espera de ver uma série que gosto. Estou sozinho, tv acesa, luz com regulador de intensidade, mas no máximo. Não porque estou a escrever, mas porque me apetece. Acho que hoje mereço não me preocupar com ninharias. Para quê!!??
E daqui pouco vou deitar-me, de consciência tranquila. Bem comigo mesmo. Os outros, hoje que se preocupem. Gente como os que se dão ao trabalho de fazer contas como uma que ouvi no boletim noticioso da Antena 3. Sabiam que a água gasta nas piscinas da Califórnia dava para matar a sede a metade de África? Estranho não é. Tenho impressão que há tempos publiquei uma animação acerca da miniterra. Já nem me lembro. Para quê? Hoje decidi não me preocupar com coisas dessas. Há gente a mais a fazê-lo, a dizer coisas bonitas e a fazer outras feias.
Um abraço a todos. E façam como eu. Sabe tão bem não nos preocuparmos com a herança que deixamos.
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sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Professor tutor
Pois é, vamos ter educadores a ensinar na primária!(?)
Criticado por todos, sindicatos e professores (e pais) esta forma de legislar avulsa deu mais este fruto. Agora veremos como vai ser implementado.
Falta agora saber pormenores... mas bons caminhos para melhores aprendizagens não me parece que daí soprem.
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sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Professor único

O ME tem-nos habituado a isso, infelizmente!
A essas afirmações reagem logo sindicatos, professores e alunos e encarregados de educação (quando a comunicação social lhes dá essa possibilidade), a quente, sem pensar... protestando apenas por protestar, porque é o papel deles, porque se não fosse para isso não valeria a pena estarem a dirigir sindicatos, etc.
Pois bem!
Embora reconheça que parece ser mais uma manobra, um discurso que geralmente assenta num vazio teórico-metodológico, porque não reflectido convenientemente, a ideia teria possibilidades de ser boa, desde que acabassem então com o segundo ciclo do ensino básico.
Vejamos. Em França, por exemplo, o primeiro ciclo é de cinco anos, o college, nosso 3º ciclo, é de quatro e o Liceu de três, acabando com um exame prestigiado, sem o qual muitos empregos são vedados aos estudantes. Na primária, os alunos têm um professor por ano, sempre diferente. Um professor é colocado para um determinado ano de ensino, e, de certa forma acaba por se especializar nele, em termos científicos e metodológicos. existe, ainda, uma progressão entre anos, com certeza pensada e estruturada entre os vários professores, de acordo com os programas em vigor.
Em Portugal não sei se existiria mudança efectiva de práticas. Não tenho, inclusive, nenhum pudor em dizer que provavelmente continuaria a ser tudo igual, mudando apenas o figurino do currículo. Convenhamos que, ao ME, esta medida permite-lhe poupar bastante dinheiro... até porque as formações avançadas que os professores devem realizar para pdoer entrar no sistema serão às custas dos mesmos e não do ministério. Para além disso, parece-me que seriam uns quantos funcionários docentes a menos.
Espero que não seja mais uma daquelas medidas que se quer a todo o custo implementar no nosso país apenas porque resulta noutros, sem olhar a contextos. Relativamente ainda ao caso de francês, o próprio concurso de colocação de docentes é substancialmente diferente do nosso e as formações profissionais também, tal como nos restantes países onde virgoa o professor único. Professor único, convenhamos, que apenas existe no sistema do 1º ciclo.
Vejamos o que acontece a seguir.
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quarta-feira, janeiro 03, 2007
MANIFESTO
... decidi começar este ano novo com o manifesto que abriu o blog. Aguardo os vossos comentários.
MANIFESTO
Em Portugal, o ensino de línguas, quer LM quer LE, atravessa uma crise que infelizmente se arrasta há muito tempo. Professores, pais, sociedade civil e investigadores concordam na constatação de fracas competências na LM (oral e escrita), nos baixos níveis de literacia que atravessam as populações estudantis e que se reflectem depois na vida activa: mão-de-obra pouco qualificada, ainda que tenham concluído a escolaridade obrigatória ou inclusive o ensino secundário.
Várias são as razões dos baixos níveis de literacia, que não se medem exclusivamente na LM, pois na sociedade actual, é imperioso o conhecimento de pelo menos duas línguas estrangeiras, de preferência europeias, se quisermos desenvolver uma sociedade competitiva cultural e economicamente (e desculpem-me os puritanos por juntar dois conceitos que, parece, se deveriam excluir).
Não me deterei aqui nas razões. Aponto, antes, aqui algumas soluções. Procurarei desenvolvê-las de forma regular, esperando que reagem, critiquem, opinem, etc. “Postem” sempre que quiserem.
As minhas hipóteses de resolução de alguns dos problemas:
- Redução do número de alunos nas aulas de línguas (LM e LE), constituindo o número 15 como referência e não a média actual (entre 25 a 30 alunos).
- Colocação de professores mediante concurso no qual o critério da graduação (nota de licenciatura + anos de serviço) se deve associar às habilitações pós-graduadas (com aproveitamento), na área curricular do concurso, e a um exame ou outro mecanismo que teste as competências pedagógicas e científicas regularmente (5 em 5 anos, por exemplo).
- Redução do número de turmas por docente (máximo de três).
- Colocação de professores cooperantes (1 por cada 3 turmas de línguas específicas) em todas as escolas que trabalhem em estreita ligação (i) com o docente da turma, quer na sala de aula, quer na preparação das sequências de aprendizagem; (ii) com os alunos em atendimentos de apoio à aprendizagem e no desenvolvimento de estratégias diferenciadas. Este docente poderia ser seleccionado de entre aqueles que não preenchessem os requisitos do ponto 2, contando o período de colocação como cooperante para a sua formação e entrada no sistema como responsáveis efectivos por turmas.
- Exames escritos e orais, que versem sobre língua e cultura, aos alunos do 9º e 12º ano e não apenas o exame escrito existente actualmente que reduz drasticamente as competências leccionadas nas aulas.
- Criação de programas para o 3º ciclo associados aos documentos das competências essenciais e ao quadro europeu comum de referência que permitam alguma flexibilidade na sua progressão (acabar com a divisão por ano escolar) e na sua contextualização local (escola/turma).
- Ligação da escola à sociedade civil, desde o 3º ciclo do EB (7º ano), com promoção da utilidade de conhecimento em LE nas empresas, nos organismos públicos, etc.
- Abolição dos manuais escolares tais como os conhecemos, principalmente aqueles que formatam e condicionam as actividades lectivas. Em meu entender, independentemente da língua, o manual escolar devia ser um compêndio de textos, intimamente ligados a factos culturais (mundanos e eruditos) aos quais estivessem ligados vários outros tipos de cadernos de actividades (leitura, escrita, falar/ouvir, funcionamento da língua, etc.), organizados por níveis de competências (os do quadro europeu). Consideramos que deste modo se alargaria a autonomia e competência do docente por (i) não sentir o seu trabalho “facilitado” em termos de planeamento da sua intervenção pedagógica; (ii) permitir uma adaptação de competências/conteúdos à realidade turma/aluno; (iii) obrigar a uma maior reflexão na organização das unidades lectivas.
- Descentralização de competências do ME para as Direcções Gerais (ou preferencialmente outro organismo, menos pesado burocrática e financeiramente, menos distante da escola e da realidade escolar, isto é, com circunscrições mais pequenas, com órgãos eleitos pela comunidade escolar, etc.) a nível: da gestão financeira (assegurando a tutela dotações adequadas), da contratação de docentes, da organização dos espaços, etc. Em alternativa, o “Concelho Regional de Educação” (por exemplo) poderia possuir uma gestão tripartida: um representante do ME, um representante da comunidade escolar e um representante da sociedade civil, com poderes idênticos, cujas decisões resultariam da consulta e aprovação de uma pequena assembleia de representantes (10 elementos, por exemplo).
- As escolas necessitam de uma efectiva autonomia de decisão, não tendo de recorrer sempre às DRE, por tudo e por nada... um exemplo: as escolas não têm real autonomia na definição de número de alunos por turma. Ridículo, não é?
Alguns dos pontos mencionados poderão provocar alguma celeuma, mas de que servem os consensos se não para continuarmos com o status quo? A polémica obriga à reflexão e, consequentemente, a uma evolução, se não nacional, pelo menos local, no trabalho diário com os nossos alunos.
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quinta-feira, outubro 19, 2006
Dia Europeu das Línguas
Em Portugal, os estudantes podem já aprender 1 língua esgtrangeira (o inglês por decreto).
Bo 2º ciclo, iniciam uma 1ª língua estrangeira e no terceiro uma 2ª língua estrangeira. Não obstante, convém relembrar a carga lectiva para as línguas estrangeiras, nomeadamente a 2ª: um bloco de 90 minutos ena melhor das hipóteses um bloco de 90 e um bloco de 45 minutos. Pouco para aprender uma língua tendo em conta que esta operação cognitiva requer muito treino.
Mais um pequeno apontamento.
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sexta-feira, setembro 08, 2006
Cursos Intensivos de Línguas
O artigo que aqui se reproduz aporta algumas questões que convém debater num espaço de ensino de línguas que não pertence já unicamente às escolas públicas dos vários graus de ensino, no nosso caso em particular, às Instituições de Ensino Superior.
Mas voltando ao artigo.
O mercado de trabalho exige, actualmente, que os quadros médios e superiores das empresas portuguesas ou estrangeiras a operar em Portugal saibam mais do que a sua língua materna, e que saibam mais do que uma língua estrangeira.
Não obstante, os cursos de línguas oferecidos, continuam, na sua grande maioria, a ser "livres", não especializados, não interligados com o mundo empresarial e hoteleiro, que através de parcerias com as Universidades poderiam abrir um mercado de formação dos seus empregados na área de línguas estrangeiras e, claro está, materna.
Os cursos de línguas existentes continuam a funcionar em muitos casos devido à carolice dos docentes, pela sua paixão à divulgação de uma língua e cultura estrangeira que consideram também sua. Trabalho, na maior parte dos casos, não remunerado e não reconhecido para fins de progressão na carreira. Os cursos funcionam em horários pós-laborais, durante o ano lectivo, sem parcerias com as empresas, não se especializando, claro está, em determinadas áreas da comunicação humana, por não existir essa necessidade. Apenas se assiste a um crescimento da oferta do Português como Língua Estrangeira, em cursos de verão, que, a nosso ver, tem registado francos sucessos.
O mercado de cursos de línguas especializados, é, habitualmente, apenas aproveitado por instituições privadas, especializadas no ensino de línguas. As universidades e politécnicos, públicos e privados, como sabemos, pela exigência de formação do seu corpo docente e por, geralmente, contratarem falantes nativos (ou bilingues) das línguas ensinadas, podem fornecer elevados graus de qualidade e exigência, concorrendo de forma segura com essas instituições.
Cabe, então, às universidades e politécnicos criar grupos de trabalho que contactem as empresas (secundárias e terciárias), que estudem parcerias e que criem os cursos.
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segunda-feira, junho 26, 2006
Final de ano lectivo, festinhas e afins!
Festas onde a dança, as tentativas de "dramatização", as palhaçadas reinam para prazer dos pais, eu incçuído. As poucas tentaivas de realizar trabalho sério são boicotadas, porque não se pensa no material acústico necessário. É, no mínimo, exaspérant de ver crianças do primeiro ciclo a portarem-se como meninos do Jardim Infantil (ou pelo menos estes últimos foram iguais a eles próprios, crianças que não sabem ler, nem escrever, das quais espera-se aprendizagens motoras essenciais, de netre as quais o reconhecim,ento das letras é verdade, mas não que mostrem que sabem ler e escrever, etc.).
Os dois alunos escolhidos para apresentar as diversas "apresentações" não liam convenientemente, ou pelo menos, como alguém do 4º ano deveria ler.
Estavamos numa escola, mas estes meninos não mostraram efectivamente aquilo que tinham estado a aprender, com dramatizações, declamações, canções não em playback (de promoção de um CD do qual não reverte nada para o agrupamento), etc.
Era uma festa gira, lá isso era, de deixar papás babados pelas palhaçadas dos filhos. Pena não ter sido pelas suas inteligências.
Aquilo que entretanto conversei com outros pais, de outros agrupamentos, não revelou grandes diferenças.
Confesso que me senti babado. Pois, não podia ser de outro modo.
Fraqueza de vermos os nossos mais que tudo a brilhar um pouco, contentes, felizes, contagiando os outros.
Cá estremos para o ano, com mais festinhas, mais palhaçadas, felizes e contentes de ver os nossos filhos felizes.
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quarta-feira, junho 21, 2006
Política(s) de Ensino de Línguas: pequenos apontamentos
Iniciou-se em 2000, o que se pretendia ser uma pequena revolução nos curricula portugueses do ensino de línguas, com a aplicação de metodologias de ensino pensadas não a partir de objectivos cognitivo-comportamentais, mas antes viés competências a atingir em fim de ciclo de estudos.
Não obstante a aplicação do Quadro Europeu Comum de Referência se ter feito, pensamos nós, com algum sucesso no Ensino Secundário, através de programas bem elaborados (não nos compete aqui desenvolver as falhas existentes), nos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico consideramos que a aplicação governamental foi, em certa medida um desastre. Não foi pior devido à carolice dos agentes de ensino, tão injustamente ignorados e desprestigiados: os professores.
Várias razões se podem apontar. Passaremos algumas em revista:
- Não houve, após a reorganização curricular e aplicação das competências gerais, essenciais e transversais, a construção de programas de disciplina adaptados às novas realidades programáticas. Assim sendo, os docentes estão ainda, volvidos seis anos, a trabalhar simultaneamente com o documento das competências essenciais e os anteriores programas (não compatíveis em nossa opinião), à mercê de editores de manuais escolares que se julgam detentores da sabedoria sobre a forma como conjugar os dos dois documentos, originando práticas de ensino que roçam o excessivamente tradicional, como defesa à inovação.
- A nova realidade curricular conduziu à partilha de horas lectivas entre línguas estrangeiras. Este facto permite, por exemplo, que a língua estrangeira 2 (iniciada no 3º ciclo) apenas tenha um bloco de 90 minutos por semana; o que convenhamos não permite a aprendizagem do que quer que seja.
- Tem-se progressivamente assistido ao encerramento dos cursos em línguas e culturas estrangeiras no Ensino Superior por falta de alunos, por o estudo de línguas ter sido desprestigiado pelo Governo e pela Comunicação Social (que prestou, neste caso, um grande favor ao Governo Português).
Porém, convém não esquecer que Portugal foi o país que propôs a Estratégia de Lisboa, na qual se pretendia tornar a EU mais competitiva até 2010, viés o investimento na educação, na investigação, na sociedade de informação e na formação ao longo da vida. Pois considero que em Portugal, apesar do Plano Tecnológico, se tem procurado fazer muito pouco para aplicar aquilo que se defendeu no período de governação do Eng.º António Guterres.
De facto, a mão-de-obra portuguesa está cada vez mais desqualificada, em comparação, por exemplo com a população dos países da Europa Central e de Leste.
Não podemos falar em mobilidade de trabalhadores se estes não conhecerem a língua e cultura do país para o qual vão trabalhar; não podemos falar em investimento e criação de riqueza através da expansão das nossas empresas, se os nossos empresários teimam em não saber falar línguas estrangeiras, nem contratarem tradutores/interpretes e consultores linguísticos para as suas empresas. Esta mão-de-obra qualificada, claro está, exige salários do nível das suas qualificações.
O simples conhecimento do Inglês, tão apregoado pelo Eng.º Sócrates, também é insuficiente se pensarmos, por exemplo, na realidade francófona que cobre os cinco continentes e constitui a segunda língua europeia que é estudada quer como língua materna, como língua segunda, ou como língua estrangeira. Isto para não falarmos no Espanhol e no Alemão.
Precisamos de reverter os pontos acima indicados, atribuindo maior número de horas às línguas estrangeiras, reduzindo o efectivo através, por exemplo, do desdobramento de turmas, como se faz (ainda?) para a disciplina de Físico-Química; criando laboratórios de línguas nas escolas (se não em todas, pelo menos nas escolas secundárias); investindo na formação superior em línguas (para fins específicos, porque não?); criando finalmente os programas para o 3º ciclo do EB, antes que se passe a ter uma terceira versão curricular ancorada num paradigma teórico-metodológico diferente.
A construção de uma Europa multilingue, de uma economia multilingue (como é aliás defendido pelos 25 estados membros[1]) assim o exige!
Pergunto-me que medidas apresentarão, em 2007, o Eng.º Sócrates e a Sr.ª Ministra da Educação para a promoção das aprendizagens de línguas e diversidade linguística (cf. http://europa.eu/scadplus/leg/pt/cha/c11068.htm). Eu conheço apenas uma (ensino do Inglês no 1º ciclo). Vocês conhecem mais?
Bom trabalho.
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sexta-feira, junho 02, 2006
Propostas para o Ensino Superior
A Comissão Europeia traçou algumas linhas mestras para o desenvolvimento das universidades portuguesas, que considero importantes. Com efeito, os Comissários Figel (Educação) e Potocnik (Investigação) apresentaram uma Comunicação da Comissão sobre a modernização das Universidades com “o objectivo de mobilizar os Estados-Membros no sentido de que as 4000 universidades europeias contribuam mais significativamente para a Agenda de Lisboa na criação de maior crescimento e de mais e melhores empregos. Apesar do enorme potencial que estas 4000 universidades europeias constituem, o ensino superior europeu continua bloqueado por inúmero obstáculos. A Comissão Europeia identifica 9 áreas a sofrer alterações por forma a que as universidades europeias possam contribuir para a criação de uma verdadeira economia do conhecimento.” (informação fornecida pelo PRELO)
Consultar o link seguinte para o texto integral:
http://ec.europa.eu/education/policies/2010/lisbon_en.html
A delegação da Agência Universitária Francófona junto da EU preparou um apanhado das medidas mais importantes. Transcrevo aqui a mensagem enviada através da lista de difusão FRAMONDE:
« Veuillez trouver ci-dessous pour information, une synthèse de récents propos du Commissaire européen chargé de l'Education, de la Formation, de la Culture et du Multiliguisme, sur les universités, préparée par le bureau de l'AUF à Bruxelles (les documents de référence sont indiqués en bas de page).
Bruxelles, 10 mai 2006
Ján Figel, Commissaire européen en charge de l'Education, de la Formation, de la Culture et du Multiliguisme, a déclaré : « Bien que formant des millions de personnes chaque année, l'enseignement supérieur européen reste entravé par nombre d'obstacles, dont certains sont vieux de plusieurs décennies. La communication adoptée aujourd'hui contribue au débat sur la nécessaire modernisation des universités de l'Union européenne ».
« Les universités sont des centrales de production du savoir » a affirmé Janez Potocnik, Commissaire en charge de la science et de la recherche. « À l'instar d'autres pans de la société et de l'économie, elles devront s'adapter aux exigences d'une économie mondialisée fondée sur la connaissance. Les idées que nous soumettons aujourd'hui devraient aider à amorcer un débat au sein des États membres, et des universités mêmes. »
La Commission européenne recense 9 domaines où des changements devraient être introduits pour que les universités européennes contribuent à la création d'une véritable économie de la connaissance. Chaque établissement devrait trouver l'équilibre entre enseignement, recherche et innovation convenant le mieux à son rôle dans sa région ou son pays, selon une démarche nécessairement différenciée. Le but est d'offrir aux universités un cadre leur permettant, à l'ère de la mondialisation, de renforcer leur poids dans la société et l'économie de la connaissance. L'ambition première est naturellement que les universités atteignent un niveau d'excellence dans leurs activités d'enseignement et de recherche.
Les propositions avancées aujourd'hui par la Commission consistent entre autres à :
- accroître la proportion de diplômés passant au moins un semestre à l'étranger ou dans l'industrie ;
- permettre aux étudiants désireux d'étudier ou de faire de la recherche dans l'UE de bénéficier de bourses ou prêts nationaux ;
- aligner les procédures de reconnaissance des qualifications universitaires sur celles applicables aux qualifications professionnelles et à faciliter la reconnaissance des diplômes européens en dehors de l'UE ;
- introduire dans la carrière des chercheurs une formation dans les domaines de la gestion de la propriété intellectuelle, de la communication, de la connexion en réseau, de l'entrepreneuriat et du travail en équipe ;
- imprimer à l'enseignement une nouvelle orientation facilitant une plus grande participation aux stades ultérieurs du cycle de vie, en tenant compte des besoins de la main-d’œuvre européenne et en veillant à ce que les universités puissent s'adapter au vieillissement de la population européenne ;
- modifier les systèmes nationaux de frais d'inscription aux universités et d'aide aux étudiants pour que les meilleurs éléments puissent poursuivre leurs études supérieures et une carrière de chercheur, quelle que soit leur situation d'origine ;
- mettre en place de nouveaux systèmes de financement des universités davantage axés sur les résultats et conférant aux établissements une plus grande responsabilité vis-à-vis de leur viabilité financière à long terme, notamment dans le domaine de la recherche ;
- étendre l'autonomie et la responsabilisation des universités pour qu'elles puissent répondre rapidement au changement, notamment grâce à de nouveaux cursus adaptés aux évolutions récentes, à un resserrement des liens interdisciplinaires et à une démarche mettant plus l'accent sur les grands domaines de recherche (énergies renouvelables, nanotechnologies par exemple) que sur les disciplines. Chaque établissement pourrait aussi bénéficier d'une plus grande autonomie dans le choix de ses enseignants et chercheurs.
http://www.europa.eu.int/comm/education/policies/2010/lisbon_en.html
http://europa.eu.int/eracareers/index_en.cfm
MEMO/06/190 »
Apresentarei mais tarde os meus comentários. Podem começar por deixar os vossos.
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terça-feira, maio 30, 2006
A nossa ministra não gosta da escola?
A nossa ministra não gosta da escola!!??
Ou não gosta dos professores!!
Algum trauma de infância??
Com certeza, já todos ouviram / leram sobre as novas propostas da ministra da educação. O único comentário que me apraz é que tenho a certeza absoluta que a senhora ministra não conhece os pais que temos.
- Querer que os pais avaliem o desempenho dos professores vai fazer surgir oportunismos de alguns pais, de alunos descontentes com determinado docente, e, inclusive... e pior ainda, de alguns colegas.
Vejamos:
Já não era a primeira vez que crianças mal comportadas na escola são “santinhos” em casa... transformando o professor no papão;
Já não era a primeira vez que alunos que não estudam/trabalham têm maus resultados, apesar de pais pensarem, por que enganados, que os alunos estão no quarto a estudar... que são alunos dedicados... As culpas aí também são do professor, tendo em conta que ele também vigia os alunos em casa;
- Não podemos esquecer aqueles alunos que trabalham tanto e tanto mas que não conseguem obter resultados satisfatórios por variadíssimas razões... mas com certeza a culpa é do professor que não o incentiva, etc.
Quando os alunos não levam o material para a escola a culpa também deve ser do professor porque não incentiva os alunos;
Etc.
Aquilo que me preocupa mais, é que quando estas medidas surgem, aprende-se pouco depois a contorná-las de modo a que todos fiquem contentes... estou a ver as notas a dispararem, vocês não?
- Ontem a nossa ministra foi, como é hábito, mais uma vez desagradável para com os professores, culpando-os de mais problemas que existem no sistema. Já leram o DN de hoje (30/05/2006)?
Inqualificável... mas o pior é que segundo o DN apenas uma professora lhe respondeu à letra e os outros calaram-se e até bateram palmas. Bateram palmas a afirmações que desrespeitam a classe docente, acusando-os de privilegiarem os alunos de funcionários e professores, de escolherem os melhores horários e as melhores turmas, deixando os piores para os professores de quem não se gosta ou que chegam depois, etc. Embora algumas destas afirmações sejam verdadeiras, não se resolvem lavando roupa suja em público, denegrindo a imagem dos professores e não da gestão. Quem aprova a atribuição de horários, constituição de turmas, etc? O professor individualmente ou os órgãos de gestão da escola e as direcções regionais?
Dizer que os sucesso não é para todos os alunos e que a culpa disso é unicamente do professor merece com certeza palmas, não acham??
- Manuais escolares... sim mais uma vez!!
Caros colegas, já pensaram na quantidade de manuais escolares enviados para cada docente? Somem o preço que vem referido atrás. Já somaram? Então multipliquem pelos professores do vosso grupo disciplinar. Não é preciso somar todos os professores da escola, apenas do vosso grupo. Não ficam espantados? Afinal parece que a crise não chegou a todos. Somem-lhe aquelas ditas reuniões pedagógicas onde apresentam os manuais, nas quais há comes e bebes a preceito, verdadeira operação de marketing que, feliz ou infelizmente, convence professores. Não se vende um manual pela sua qualidade científica e pedagógica, mas pela oferta que se faz.
Mais uma vez se passa ao lado dos problemas!
É o país que temos... e que nós fazemos!!
Abraço.
Obrigado pelos comentários.
PS: Num país que eu cá sei, a ministra teria ficado sem plateia. Mas continuamos com os nossos brandos costumes!
Já agora, algumas citações (apud DN n.º 50099, de 30/05/06):
“O meu melhor professor de sempre nunca me preparou para um exame. Fez-me apenas querer ser jornalista. Chamava-se […]. Fez-me ler imensas coisas. Fez-me julgar que sabia escrever. Fez-me querer ir às aulas dele. Porquê? Porque gostava dos alunos. Porque adorava as aulas. Não imagino como este sistema o poderia avaliar. Nem sequer imagino que ficasse especialmente obcecado com a avaliação.” (Daniel Oliveira, http://arrastao.weblog.com.pt)
“Os pais apenas se podem basear no relato dos filhos, e nada permite dizer que aquelas encantadoras crianças, que tratam as professoras de ‘putas’ e lhes atiram preservativos à cara e as fecham na sala de aulas, sem que o ministério aparentemente se rale muito, estejam em condições de avaliar as capacidades pedagógicas de uma forma isenta e ponderada.” (Eduardo Prado Coelho, Público)
“O sistema de ensino tornar-se-á num concurso de popularidade, e melhor será os professores exigentes passarem a distribuir
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sábado, fevereiro 04, 2006
Manifesto 2
Retomando o nosso manifesto, faltou-nos um ponto de não menos importância relativo aos manuais escolares e à descentralização de competências.
- Abolição dos manuais escolares tais como os conhecemos, principalmente aqueles que formatam e condicionam as actividades lectivas. Em meu entender, independentemente da língua, o manual escolar devia ser um compêndio de textos, intimamente ligados a factos culturais (mundanos e eruditos) aos quais estivessem ligados vários outros tipos de cadernos de actividades (leitura, escrita, falar/ouvir, funcionamento da língua, etc.), organizados por níveis de competências (os do quadro europeu). Consideramos que deste modo se alargaria a autonomia e competência do docente por (i) não sentir o seu trabalho “facilitado” em termos de planeamento da sua intervenção pedagógica; (ii) permitir uma adaptação de competências/conteúdos à realidade turma/aluno; (iii) obrigar a uma maior reflexão na organização das unidades lectivas.
- Descentralização de competências do ME para as Direcções Gerais (ou preferencialmente outro organismo, menos pesado burocrática e financeiramente, menos distante da escola e da realidade escolar, isto é, com circunscrições mais pequenas, com órgãos eleitos pela comunidade escolar, etc.) a nível: da gestão financeira (assegurando a tutela dotações adequadas), da contratação de docentes, da organização dos espaços, etc. Em alternativa, o “Concelho Regional de Educação” (por exemplo) poderia possuir uma gestão tripartida: um representante do ME, um representante da comunidade escolar e um representante da sociedade civil, com poderes idênticos, cujas decisões resultariam da consulta e aprovação de uma pequena assembleia de representantes (10 elementos, por exemplo).
- As escolas necessitam de uma efectiva autonomia de decisão, não tendo de recorrer sempre às DRE, por tudo e por nada... um exemplo: as escolas não têm real autonomia na definição de número de alunos por turma. Ridículo, não é?
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quinta-feira, fevereiro 02, 2006
MANIFESTO
Em Portugal, o ensino de línguas, quer LM quer LE, atravessa uma crise que infelizmente se arrasta há muito tempo. Professores, pais, sociedade civil e investigadores concordam na constatação de fracas competências na LM (oral e escrita), nos baixos níveis de literacia que atravessam as populações estudantis e que se reflectem depois na vida activa: mão-de-obra pouco qualificada, ainda que tenham concluído a escolaridade obrigatória ou inclusive o ensino secundário.
Várias são as razões dos baixos níveis de literacia, que não se medem exclusivamente na LM, pois na sociedade actual, é imperioso o conhecimento de pelo menos duas línguas estrangeiras, de preferência europeias, se quisermos desenvolver uma sociedade competitiva cultural e economicamente (e desculpem-me os puritanos por juntar dois conceitos que, parece, se deveriam excluir).
Não me deterei aqui nas razões. Aponto, antes, aqui algumas soluções. Procurarei desenvolvê-las de forma regular, esperando que reagem, critiquem, opinem, etc. “Postem” sempre que quiserem.
As minhas hipóteses de resolução de alguns dos problemas:
- Redução do número de alunos nas aulas de línguas (LM e LE), constituindo o número 15 como referência e não a média actual (entre 25 a 30 alunos).
- Colocação de professores mediante concurso no qual o critério da graduação (nota de licenciatura + anos de serviço) se deve associar às habilitações pós-graduadas (com aproveitamento), na área curricular do concurso, e a um exame ou outro mecanismo que teste as competências pedagógicas e científicas regularmente (5 em 5 anos, por exemplo).
- Redução do número de turmas por docente (máximo de três).
- Colocação de professores cooperantes (1 por cada 3 turmas de línguas específicas) em todas as escolas que trabalhem em estreita ligação (i) com o docente da turma, quer na sala de aula, quer na preparação das sequências de aprendizagem; (ii) com os alunos em atendimentos de apoio à aprendizagem e no desenvolvimento de estratégias diferenciadas. Este docente poderia ser seleccionado de entre aqueles que não preenchessem os requisitos do ponto 2, contando o período de colocação como cooperante para a sua formação e entrada no sistema como responsáveis efectivos por turmas.
- Exames escritos e orais, que versem sobre língua e cultura, aos alunos do 9º e 12º ano e não apenas o exame escrito existente actualmente que reduz drasticamente as competências leccionadas nas aulas.
- Criação de programas para o 3º ciclo associados aos documentos das competências essenciais e ao quadro europeu comum de referência que permitam alguma flexibilidade na sua progressão (acabar com a divisão por ano escolar) e na sua contextualização local (escola/turma).
- Ligação da escola à sociedade civil, desde o 3º ciclo do EB (7º ano), com promoção da utilidade de conhecimento em LE nas empresas, nos organismos públicos, etc.
Alguns dos pontos mencionados poderão provocar alguma celeuma, mas de que servem os consensos se não para continuarmos com o status quo? A polémica obriga à reflexão e, consequentemente, a uma evolução, se não nacional, pelo menos local, no trabalho diário com os nossos alunos.
Etiquetas: política educativa, Questões de Pedagogia, Reflexões Minhas
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